Hemoterapia e Auto-hemoterapia emagrecem? Descubra seus efeitos!

A hemoterapia é uma técnica que envolve o emprego terapêutico do sangue a favor do tratamento de cura de uma determinada enfermidade.

Apesar de ser uma técnica relativamente antiga, nos últimos anos a hemoterapia parece ter tomado força e gerado curiosidade entre os brasileiros. Boa parte desta renovada curiosidade tem relação com boatos de que a técnica seria uma forma relativamente simples e rápida de emagrecer, uma vez que a inclusão de sangue no organismo está ligado ao funcionamento do metabolismo.

Será que a hemoterapia realmente emagrece? Quais efeitos podemos esperar desta técnica? Descubra isso e muito mais aqui. Boa leitura!

O que é Hemoterapia?

Pipetas com sangue para hemoterapia

Hemoterapia

A hemoterapia é a utilização terapêutica do sangue. De acordo com o dicionário de medicina Merriam-Webster, a hemoterapia pode ser definida como o tratamento que envolve a administração do sangue fresco, de uma fração de sangue ou de uma preparação com sangue.

A hemoterapia é utilizada como tratamento para determinadas condições de saúde que se beneficiam com a transfusão de sangue, como gripes e resfriados. Quando o paciente envolvido no procedimento recebe seu próprio sangue, a técnica pode ser chamada de auto-hemoterapia.

Os principais hemocomponentes utilizados nas terapias transfusionais são:

  • Concentrado de hemácias
  • Concentrado de plaquetas
  • Plasma fresco congelado

A hemoterapia emagrece?

De uma forma breve: não. Não é possível afirmar que a hemoterapia possua qualquer associação com o emagrecimento.

Não se sabe exatamente da onde surgiu o boato de que esta técnica teria associação com resultados de emagrecimento, entretanto, diversos especialistas, médicos e demais profissionais e estudiosos do campo da saúde já relataram não haver qualquer comprovação séria e confiável sobre a relação entre a técnica de hemoterapia e a perda de peso.

A Associação Americana de Medicina realizou uma campanha no ano de 2015 para conscientizar a população acerca dos riscos que este procedimento pode acarretar para a saúde. Nesta campanha, foram convidados para entrevistas alguns especialistas de diversos lugares do mundo, como França, Portugal e Canadá. Além de reforçar os cuidados necessários para realização da técnica, os profissionais relembraram alguns dos riscos mais sérios e retificaram a ausência total de estudos sérios que associem a prática à perda de peso.

Sempre que você ouvir alguém dizer ou ler em algum lugar que este procedimento emagrece, o mais indicado é buscar atendimento médico com um profissional capacitado e de confiança e explicar seus objetivos, para que o profissional possa construir em conjunto com você um plano de atividades/procedimentos seguros e que te auxiliem naquilo que você busca, seja o emagrecimento ou qualquer outro fim.

Importante!

Não se submeta sob nenhuma circunstância a tratamentos de hemoterapia com leigos ou profissionais não qualificados ou sem uma indicação séria e de confiança.

Devido a popularidade desta técnica, existe uma variedade de leigos que estão ofertando-a de forma irregular e sem qualquer capacitação para prestar um serviço de qualidade e segurança. De modo geral, estes serviços são fornecidos em casas e não possuem qualquer respaldo de setores fundamentais, como o Ministério da Saúde, o Conselho de Medicina ou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O procedimento mais benéfico para sua saúde e que traz melhores resultados quando o assunto é o emagrecimento continua sendo a associação entre uma dieta equilibrada e disciplinada e a prática de exercícios físicos. Pode não ser o caminho mais prazeroso ou mais fácil, mas continua sendo o único com resultados garantidos e com respeito e cuidado pela sua saúde.

Quais os riscos da auto-hemoterapia?

O site do Governo do Estado de São Paulo publicou no ano de 2007 diversos depoimentos com especialistas, profissionais de saúde e organizações que demonstram e alertam os riscos aos quais aqueles que se submetem a auto-hemoterapia estão expostos.

Até este momento, a mídia parecia romantizar a prática, o que estava gerando diversos problemas de saúde e, inclusive, alguns óbitos. Por este motivo, foi necessário intervenção midiática e exposição de alguns estudos de caso para demonstrar a gravidade da situação.

Ainda em 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou uma nota técnica na grande mídia condenando o procedimento de auto-hemoterapia fundamentada na ausência total de comprovações sobre sua eficácia para quaisquer fins, não somente sua suposta associação com o emagrecimento. Na nota, a Anvisa menciona alguns casos de pacientes saudáveis que se submeteram à prática e passaram por diversas complicações e por quadros sintomatológicos delicados nos períodos subsequentes.

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) alertou, em 2009, que a auto-hemoterapia continuava sem nenhuma fundamentação científica. Dalton Chamone, professor titular de Hematologia e Hemoterapia da USP relatou que a prática, além de não possuir qualquer fundamentação sobre seus benefícios, possui diversos efeitos colaterais graves, como infecção generalizada e, em alguns casos, morte.

Apenas um ano depois, em 2010, a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) lançou uma nota oficial esclarecendo que a prática não conta com evidências científicas que façam os profissionais acreditarem em sua eficácia, tanto em estudos nacionais quanto em estudos internacionais. Na nota, a SBHH relata que os efeitos colaterais podem ser devastadores e que as complicações da auto-hemoterapia são desconhecidos e, por este motivo, a população deve se manter afastada da técnica até que hajam estudos sérios e confiáveis sobre os resultados do procedimento.

A SBHH não reconhece a auto-hemoterapia como um procedimento médico oficial. Devido aos imensos riscos para a vida dos pacientes que se submetem à técnica, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prática de auto-hemoterapia entre os médicos brasileiros. Ainda assim, é possível encontrar profissionais da medicina que ofereçam esta técnica.

Vale ressaltar que o profissional que divulga ou oferece o procedimento costuma utilizar casas ou clínicas sem as adequações sanitárias mínimas, o que acarreta altos riscos de infecção e contaminação. Além disso, os profissionais que realizam técnicas proibidas por seu Conselho estão desamparados e, com isso, não podem fornecer qualquer respaldo legal de garantia de qualidade ou resultado.

Conclusão

A hemoterapia é um procedimento terapêutico que envolve a transfusão de sangue. Quando o paciente recebe seu próprio sangue, a técnica costuma ser denominada como auto-hemoterapia.

Nos últimos anos, a hemoterapia e a auto-hemoterapia parecem ter ganho popularidade devido a boatos de que estes procedimentos tem efeitos de emagrecimento. Entretanto, diversas organizações e profissionais colocam-se contra a técnica e demonstram que não existe qualquer respaldo científico para a relação entre a hemoterapia e a perda de peso.

A Anvisa, a Associação Americana de Medicina, a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia e o Conselho Federal de Medicina condenam a auto-hemoterapia e demonstram os diversos malefícios deste procedimento para a saúde, proibindo a prática entre os médicos do Brasil.

Tome cuidado com profissionais que divulgam ou oferecem técnicas condenadas por seus Conselhos reguladores. Estes profissionais não possuem qualquer respaldo técnico ou legal para garantir qualidade e resultados durante ou após os procedimentos, além dos mesmos costumarem ocorrer em locais desapropriados e sem as condições mínimas para a realização dos procedimentos.

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Comentários
  1. Maria

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